O amor sobrevive ao silêncio da História.
Capítulo 1
Uma Casa e um Passado
Era 12 de Janeiro de 2025.
Anna Veiga estava ansiosa para fechar negócio.
Ela estava comprando uma casa na rua São Damião, nº 149, no bairro Borboleta, em Juiz de Fora.
Casa de construção antiga, mas bastante conservada.
Sua cor verde-musgo e o portão cinza carregavam uma imponência digna das residências das décadas passadas.
Era só assinar mais uma folha e ela já poderia pegar suas chaves.
Feito isso, Anna saiu da imobiliária, no centro da cidade de JF, hiper satisfeita…
Ela pegou seu carro, um Dodge Dart 1970, amarelo.
Ele estava no estacionamento da mesma rua da imobiliária, a Santa Rita, por cerca de duas horas.
Ela pagou, saiu do estacionamento. O ronronar do Dodge amarelo impunha respeito. Era como se os outros veículos abrissem passagem, reconhecendo o valor e o peso daquela entidade sobre rodas.
Anna se sentia plena. Era quase irreal…
Ela dirigiu suavemente até o Borboleta, que a aguardava em silêncio.
Já em sua casa:
Anna estava animada e satisfeita, mas ansiosa.
Ela aguardava pela entrega dos móveis.
Aquele resto de dia foi assim: móveis e acessórios chegando,
um vai e vem constante, movimentação intensa dentro da casa de Anna…
Até que o sol resolveu se esconder. Timidamente, ele saiu de cena,
deixando o anoitecer abraçar a cidade, imergindo Juiz de Fora na escuridão
e forçando a cidade a responder com as luzes artificiais.
O último a sair da casa naquele dia, o fez às 18:49.
Anna respirou fundo. Agora seria com ela.
Faria a limpeza e a ambientação da casa naquelas poucas horas antes de se deitar.
No dia seguinte, teria de trabalhar.
Anna trabalhava em uma empresa de carros alemã da cidade. Havia pouco tempo.
Ela se sentia feliz por isso e cuidava muito de suas rotinas.
Ela ajeitou o que pôde, e mesmo assim conseguiu dar um ar de “casa nova” ao ambiente,
o que a levou a tomar um banho e se deitar satisfeita.
Pela manhã:
Anna se levanta, prepara seu café, ovos mexidos, e parte para o trabalho.
Hoje ela sairia mais cedo, para tentar finalizar os ajustes da casa.
Sua manhã escorre suave, sem grandes preocupações.
Anna sai da empresa por volta do meio-dia.
No retorno para casa, ela para no Shopping Jardim Norte, onde compra alguns itens para completar a ambientação de seu novo lar.
Feito isso, almoça por ali mesmo e parte para casa.
Ao chegar, nota que no local de entrega de correspondências, de boletos, contas de luz, propagandas… já havia algo aguardando por ela.
Aquilo lhe chama bastante a atenção.
Anna pega o que logo reconhece ser uma carta.
Cumprimenta sua vizinha nova, Andressa com um aceno e segue para dentro.
Coloca a carta sobre a mesa da sala e começa a trabalhar.
Sua intenção era deixar a casa ajeitada ainda naquele dia…
Mexe daqui, mexe dali, posiciona objetos, estrutura a sala.
Dá um toque nos dois quartos e finaliza na cozinha.
Só então percebe que o tempo voou.
Já eram 18:56.
Toma um banho, come alguma coisa, lava a louça…
E então nota que a carta, ali sobre a mesa, parecia chamá-la.
Algo naquela carta, lhe trazia uma inquietação.
Anna a pega nas mãos. Não vê remetente.
Estranha aquilo, mas decide abrir.
Carta
Sem remetente
Local: Ludz, Polônia
Data: 4 de fevereiro de 1941
“As coisas ainda não estão tão ruins por aqui, em Ludz.
Prometi escrever toda semana.
Espero que as cartas estejam chegando.
Amo você.”
Anna sente um arrepio subir pelas costas.
Retira os óculos. Esfrega os olhos.
Não quer acreditar no que leu.
Estaria recebendo… cartas da Polônia da Segunda Guerra Mundial?
Não parecia possível.
Alguém estaria fazendo algum tipo de brincadeira?
Mas não havia graça nenhuma ali.
Anna sentia o anseio naquelas linhas. A angústia de quem escreveu.
Aquilo era real demais.
Guarda a carta na gaveta de um móvel no quarto.
Pensa em ligar para o seu pai… Contar…
Desiste.
Vai para a cama com a mente borbulhando:
Como isso seria possível?
Quem teria feito aquilo?
O material, o papel, a tinta… pareciam mesmo da época.
Anna se sente incomodada.
Levanta, vai até a cozinha, prepara um chá.
Está realmente com dificuldade de se desprender do que viu.
Do que leu.
Anna é perseverante, ela se esforça e consegue adormecer.
O sono lhe abraça, como uma mãe, que embala uma filha amada.
Pela manhã:
Ela acorda bem, mas antes mesmo de se levantar, Anna pensa na carta fora do tempo.
O que aquilo significa de fato?
Qual seria a história dessa casa?
Uma série de perguntas giravam na mente de Anna.
Ela toma seu café da manhã e parte para o trabalho…
No trabalho, ela se depara com situações que lhe aborrecem…
Aquela manhã passara arranhando.
Anna sai para almoçar, se sentindo um tanto estressada.
Ela volta do almoço com esperanças de que, pela tarde, as coisas caminhem de forma mais tranquila.
Felizmente, assim acontece…
O dia de Anna acaba, ela se despede do pessoal…
E parte para casa.
Sua mente a leva à correspondência que recebera…
O que eu faria daquela carta?
Devo comentar com alguém?
Acho que não consigo contar isso para ninguém…
O trajeto até em casa é suave, apesar do trânsito delicado, de uma cidade que já não consegue mais segurar a respiração…
Anna chega em casa, evita olhar a correspondência.
Dentro de casa, as coisas estão organizadas, e isso agrada Anna.
Ela toma seu banho, buscando relaxar…
Se alimenta suavemente, sem excessos, mais leve. Arruma a cozinha e logo começa a se sentir curiosa… chamada.
Anna quer muito ir até a caixa de correspondência checar.
Mas, e se tiver outra correspondência por lá?
Ela mal saberia o que fazer…
Já se passavam das 19:00, e Anna decide que irá até a correspondência.
Lá chegando, ela logo vê que sim, há uma nova carta.
Anna toma a carta em suas mãos e, ainda antes de entrar em casa, ela lê a mensagem:
Carta
Sem remetente
Local: Ludz, Polônia
Data: 4 de Julho de 1943.
“Aqui o desespero começa a vazar. O tom muda. Algo aconteceu.
Não sei se você está recebendo. As pessoas estão sumindo. A cidade parece respirar medo. Se conseguir, me escreva de volta….
Não esquece que te amo.”
Anna sente o peso da mensagem, seu coração parece ser comprimido por um torno invisível…
Ela respira fundo; essa situação muito lhe sufoca.
Anna está pensando em conversar com Andressa…
Quem sabe Andressa não saberia dizer algo sobre a casa, que pudesse clarear as coisas.
Anna, ainda que muito incomodada e sensível, guarda a carta no bolso de trás da sua calça, abre o portão, na esperança de que Andressa aparecesse… Ela fica por ali um tempo, esperançosa, observando os transeuntes…
Capítulo 2
A Porta dentro do Porão
Anna se perde com os olhos no tempo… Até que uma voz lhe chega aos ouvidos, como uma luz que empurra a escuridão.
— Olá Anna, o que faz aqui fora, menina? Parada aí, olhando o tempo… o que houve?
Anna sorri. Era Andressa. Gratidão, foi o que primeiro lhe veio à mente… Até se virar e dizer:
— Andressa querida, que bom lhe ver aqui. Preciso muito te perguntar uma coisa.
— Fique à vontade, Anna. Estou aqui.
— Essa casa que acabei de comprar… ela teria alguma história? – dá um sorriso suave.
— Anna… sim… – Andressa busca na memória:
Uma mulher vinda de Ludz, procurada pela Gestapo.
Diziam que ela era como uma alma penada para eles.
Era uma excelente escritora… Conseguiu embarcar com identidade falsa. Foi trazida por um navio que recebia refugiados sob o silêncio do consulado.
Ganhou nova documentação com ajuda de algum diplomata que também sumiu dos registros.
— Meu Deus! – Anna se exalta.
— Sim… me lembro de mais…
Nome estrangeiro. Miriam Rose… Rosenthal… acho que…
Isso. Miriam Rosenthal era o nome dela original.
Aqui, ela atendia por Maria Luiza Dias. Nascida em 1912, me parece.
Mudou-se em 1944. Ficou reclusa, segundo dizem.
Nunca teve filhos. Nunca saiu daí…
Morreu em silêncio.
Ela ajudava judeus a fugirem da Europa, no período da Segunda Guerra.
Trocava cartas com alguém misterioso.
— Nossa… Andressa, essa casa tem um porão que ainda nem fui olhar.
Se bobear, tem coisa lá…
— Com certeza! Se quiser ajuda, me fala que vou com você, mulher.
— Vou querer sim. Vamos fazer isso sábado?
— Combinado…
— Eu vou entrar, que estou morrendo de fome, amiga.
— Sim, vá lá. Muita gratidão pelos esclarecimentos… eu precisava muito disso.
— Fico feliz em ajudar. Muito boa noite!
— Boa noite…
Anna, incomodada e satisfeita, se vira e entra em casa…
Ela teria muito que pensar, anotar… queria ficar a par dos acontecimentos.
Embora soubesse que as cartas que estava recebendo…
não deixariam de ser um tanto sombrias.
Anna entra, guarda a segunda carta na mesma gaveta onde escondera a primeira.
Pega seu laptop e vai para o sofá.
Ali, ela anota tudo o que ouvira de Andressa.
Ela abre o e-mail, conta do Google.
Vasculhando a caixa de entrada, um remetente chama sua atenção: Hans Fischer.
O texto está em alemão. A ansiedade cresce.
Por que estou recebendo e-mails de um alemão? O que significa isso, meu Deus?
Anna seleciona o texto com as mãos trêmulas e cola no tradutor do Google.
Berlim – 16 de janeiro de 2025
“Você tem uma biblioteca em sua casa?
Precisa nos responder. Isso é um arquivo do governo alemão.
Responda assim que puder.”
O peito de Anna aperta.
Ela tenta respirar. Decide abrir a porta que leva ao porão.
Teimosa que só ela, encara o desconhecido.
Diante da porta, faz o sinal da cruz e empurra.
Um ranger seco e prolongado arranha o espírito.
Lá embaixo, escada de cimento, escuridão e umidade.
Anna procura o interruptor. Encontra.
A luz acende, fraca, mas suficiente.
Ela desce devagar.
A alma, quase se desprendendo do corpo, parece resistir à descida.
Ao chegar, os olhos arregalam.
Livros espalhados pelo chão. Um velho arquivo.
E mais ao fundo… outra porta.
O que seria aquela outra porta?
Ela se sente compelida.
Caminha lentamente.
Chegando perto, empurra.
O que vê a deixa atônita.
Outra descida. Mais escura.
Mas Anna… não desce.
Fecha a porta. Volta.
Sai do porão sem trazer nada de lá.
Mas leva consigo o peso.
Que casa é essa? O que está acontecendo com minha vida?
Será que devo sair daqui?
Na cozinha, prepara um chá.
Deita-se. Tenta dormir.
Ela consegue adormecer.
O sono lhe abraça.
E a noite é levada pela manhã.
Com cuidado, com zelo, até assumir totalmente o controle.
Na manhã seguinte:
Com a cabeça cheia, Anna levanta, prepara o café e vai direto ao trabalho.
No seu Dodge, tudo parece mais suave. Mas ela sente: algo nela está sendo empurrado para 1942.
No trabalho, tenta esquecer tudo.
Evita contatos com alemães, não por preconceito, mas por desconforto emocional.
Felizmente, consegue levar o dia em paz… sem grandes problemas. Pelo menos ali.
De volta para casa:
Pensa em adiantar e chamar Andressa para ir ao porão com ela.
O que seria aquela porta? Para onde ela levaria?
Lembra que Andressa chega tarde.
Terá de esperar o sábado, quando ambas estarão de folga.
A amiga poderá acompanhá-la.
Já em casa:
Anna chega, toma banho, se troca e resolve ligar para o pai.
— Pai!
— Filha, como vai você? Que saudade!
— Eu vou bem, pai. E você por aí? Sinto saudade também!
— O pai acostumou com a solidão, filha, você sabe disso… mas me sinto ótimo.
— Que coisa boa de saber, meu pai. Preciso me organizar para ir até você!
— Vai ser um prazer imenso!
— O senhor está bem mesmo?
— Sim, meu anjo. E você?
— Fico bem também, pai. Fique com Deus. Eu lhe amo!
— Deus lhe abençoe, filha. Também te amo muito.
Desliga o telefone.
Pensa em comer fora.
Se troca.
Pega o Dodge.
Cruza a cidade de Juiz de Fora até o Drive-in da loja da Rio Branco.
Ali, posiciona o Dodge, faz o pedido e espera.
Anna é atendida, ela pega o pedido e parte para casa…
Capítulo 3
Meu Amor se Esqueceu de Mim
Em casa: Anna chega em casa e sente o ambiente mais frio que o normal. A rua estava quente, calor típico de início de ano em Juiz de Fora…
Que frio é esse dentro de casa?
Anna se troca, colocando uma roupa de frio. Ela prepara um chá quente, pega o laptop e vai se deitar. Abre o laptop… Na tela, uma mensagem:
“Meu amor me esqueceu – eu preciso de ajuda”
Anna se assusta, fecha o laptop rapidamente, o coloca ao lado do criado-mudo e se cobre com o edredom. Sente medo.
Uma pressão estranha no pescoço começa a incomodá-la.
O que está acontecendo? Essa casa fria, essa mensagem de um espírito no meu computador… Eu acho que estou ficando louca. Meu Deus, me ajude.
Anna, mulher de fé, ora com fervor para adormecer. E o sono, com zelo, a leva ao amanhecer.
Pela manhã:
Anna acorda agitada. Ela precisava entender o que estava acontecendo e, se possível fosse, resolver. Levanta-se, vai ao banheiro, toma seu café e vai verificar a correspondência. Há uma nova carta. Dessa vez, datada de 1945.
Carta
Sem remetente
Local: Ludz, Polônia
Data: 4 de janeiro de 1945
“Isso aqui virou um inferno, amor! Talvez a carta nunca chegue.
Talvez tenha sido a última coisa que consegui escrever antes de… você sabe ou imagina.
Se alguém encontrar isso um dia… que saiba:
Eu existi, eu amei, eu nunca deixei de amar, e eu sonhei com a liberdade.”
Anna já não se sente tão abalada. Ela resolve entrar e aguardar o contato de Andressa. Senta-se à mesa.
Repara no relógio digital sobre o armário da cozinha: marcava 03:00. Aquilo não fazia sentido algum. Anna se levanta e, de repente, o relógio cai no chão. A situação incomoda profundamente sua alma.
Ela sai de casa. Decide que não dirá nada a Andressa, mas ainda assim quer ir a fundo.
Andressa a chama:
— Vem, minha amiga, estou aqui fora… — Anna, que bom te ver! Animada? — Sim, bastante. — Nossa, Anna, que casa fria… — Sim, já percebi isso, amiga. — É bastante frio mesmo. — Vou pegar uma blusa pra você.
Anna vai até o quarto com Andressa e pega uma blusa para ela. Andressa a veste. Anna abre a gaveta, pega as cartas e as guarda no bolso. Pensa que pode precisar.
Ambas se dirigem à escada do porão.
— Tudo bem? Está pronta? — pergunta Anna. — Sim… um pouco apreensiva, mas sim.
Anna abre a porta do porão. O frio se intensifica. A escuridão parecia observá-las.
Elas descem devagar… O porão, como uma entidade à parte, parecia esperá-las. Algo inquietante fazia aquele lugar se tornar denso, presente… Quase que tocava.
Andressa aponta uma porta. Anna confirma com a cabeça. Elas caminham em direção a ela.
Um som começa a ecoar.
— Você ouve isso? Richard Wagner – “Tristan und Isolde”? — pergunta Andressa. — Acho que sim… ouço algo bem distante. — Isso é da época da Segunda Guerra. Por que estaríamos ouvindo isso aqui, Anna? Estou com muito medo! — Eu também, por isso você está comigo, Andressa! — PQP, mulher… — Pois é… pretendo entender o que está havendo comigo e com essa casa.
— Aqui? Agora? — Sim. Vamos entrar…
Anna empurra a porta. A sinfonia agora soa mais clara.
Andressa aponta: — Veja, Anna… a silhueta de uma mulher! — Sim… é uma mulher.
Ela está de costas, colhendo flores. De repente, para. Solta as flores. Vira-se lentamente… e, num instante, está diante de Anna.
Tomba a cabeça, encarando Anna, que prende a respiração. Andressa chora de medo.
— Eu sou Miriam Rosenthal. Meu amor se esqueceu de mim.
Tomba a cabeça para o outro lado, os olhos fixos em Anna.
— Eu acho que seu amor não se esqueceu de você…
Anna não sabe como conseguiu dizer aquilo, mas disse.
Miriam se torna menos perturbadora, ainda que profunda.
— O que você está dizendo? O que você sabe do meu amor? — Eu recebo cartas — Anna mete a mão no bolso e puxa as cartas — Veja. Elas chegam na minha correspondência, vindas de Ludz. Datadas de:
1941:
“As coisas ainda não estão tão ruins por aqui, em Ludz.
Prometi escrever toda semana.
Espero que as cartas estejam chegando.
Amo você.”
Os olhos de Miriam se enchem d’água.
— Minha Sophia… eu sinto… — Veja, tem mais…
1943:
“Aqui o desespero começa a vazar. O tom muda. Algo aconteceu.
Não sei se você está recebendo. As pessoas estão sumindo.
A cidade parece respirar medo. Se conseguir, me escreva de volta…
Não esquece que te amo.”
— Veja como ela sempre faz questão de dizer que ama você! Você tem estado aqui por muitos anos? — Sim, moça. Vivi grande parte da minha vida aqui, nessa casa… Fugi do sofrimento que nos impuseram na Europa. Salvei muitas vidas. Trouxe pessoas para o Brasil. Minha Sophia… eu não consegui…
— Tudo bem. Ela sempre te amou. Ainda tem mais uma. Está pronta? — Sim…
— o espírito encolhe os ombros, como se já soubesse o peso do que vinha.
1945:
“Isso aqui virou um inferno, amor! Talvez a carta nunca chegue.
Talvez tenha sido a última coisa que consegui escrever antes de… você sabe ou imagina.
Se alguém encontrar isso um dia… que saiba:
Eu existi, eu amei, eu nunca deixei de amar, e eu sonhei com a liberdade.”
O espírito de Miriam flutua à frente de Anna. Uma luz intensa invade o porão. Ninguém saberia dizer de onde ela vinha.
Miriam agora tinha um aspecto amável. Acolhedor.
— Gratidão, moça. Você me tirou das profundezas da ausência, do esquecimento.
Você me mostrou que meu amor nunca se esqueceu de mim.
Agora posso partir… em paz.
— Vá em paz, Miriam. Encontre-se com Sophia. Ela está feliz agora, esperando por você.
Miriam sorri. Levita devagar até se fundir à luz… Que lentamente se apaga.
Até desaparecer…
Deixando pétalas de flores espalhadas pelo porão.
Anna se vira para Andressa. Elas se olham. Nada mais precisa ser dito.
Agora elas caminham juntas.
Se abraçam e, por ali, permanecem.
Em meio às pétalas.
No presente.
Porque o passado… finalmente tomou seu rumo.
FIM🌺
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Para quem quiser dizer algo que não cabe em silêncio
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