Hospital San Marco

Onde a realidade começa a esquecer de si mesma

— Você viu isso?
— O que foi, Rafaela?
— Olha como estou arrepiada.
— Mulher… o que foi agora?
— Eu vi, Márcia. Eu vi a aquela coisa de novo.

Márcia franziu o cenho. Já duvidara das visões de Rafaela antes… mas algo, agora, se recusava a chamar aquilo de invenção.

2 de junho de 2030 — Kandor, a princesinha cinzenta do norte.

Nos últimos anos, a cidade recebera um hospital grandioso: o Hospital San Marco. Seus trezentos mil habitantes se sentiam mais seguros desde então.

O dia a dia dentro do HSM tornava-se, para alguns, um lar frio impregnado de odores antissépticos; para outros, uma ameaça silenciosa à sanidade. Havia ainda aqueles que negociavam cada amanhecer com a morte — e também os que pareciam, de alguma forma, ditar as regras sobre quem ficava e quem partia.

— Alan, você sabe que tem algo nesse hospital, não sabe?
— Algo como o quê?
— Rafaela anda vendo coisas… não soube? Por onde tem andado, distraído?
— Não é distração, Gabi. É falta de tempo para crendices. Me ajuda, vai.
— Então o seu caso é negação?
— Me poupa. Dona Luzia está mal e precisa de mim. Vá ver seu Alberto — ele também deve precisar.
— Tô indo. Não precisa me lembrar.

Corredor 3 — Quarto 10

Dona Luzia dera entrada havia pouco mais de uma semana. Os ossos frágeis já não sustentavam o peso do próprio corpo, e até respirar parecia exigir esforço.

— Bom dia, Luzia querida.
— Ai, Alan… me ajuda, filho… sinto como se meu corpo fosse se desfazer em areia.
— Calma… essa medicação vai trazer conforto. Ana Lúcia vem hoje?
— Vem sim, ainda pela manhã.
— Você tem uma filha de ouro.
— E eu não sei? Agradeço todos os dias.
— Você vai melhorar com certeza… preciso ir agora. Qualquer coisa, aperte o botão.
— Aperto sim… vá com Deus e que ele abençoe essa medicação.

Ainda no corredor 3 — Quarto 16

— Bom dia, seu Alberto. Como estamos hoje?
— Com fome… muita fome.
— O soro está fora. Andou se mexendo muito?
— Acho que brigo com os lençóis enquanto durmo.
— Seu levado… deixa eu ajustar isso.
— Mas eu quero comer.
— Não dificulta. Você sabe que não pode ainda.
— Estou ficando doido…
— Não vamos perder a fé. Vai ficar tudo bem.

As restrições corroíam Alberto mais que a própria doença. Gabi sentia aquilo como uma filha sentiria.

Corredor 5 — Quarto 18

Sid, onze anos, travava uma batalha silenciosa contra o próprio corpo. As limitações que seu corpo empunha, escalavam sorrateiramente a cada amanhecer.

— Bom dia, querido Sid…
Ele não respondeu. Apenas olhou para Rafaela — um olhar pesado demais para alguém que mal começara a viver.

O coração dela se contraiu.

— Venha… vamos tomar um banho?
Sid balançou a cabeça negativamente.

— Meu anjinho… estou aqui. Ontem você não se banhou. Vamos devagar? Deixa eu ver essa temperatura… putz, esta ardendo em febre.. Vou te dar um antitérmico.

Enquanto preparava a medicação, Rafaela sentiu novamente.
Aquilo…

Como se algo tivesse atravessado o corredor — sem som, sem passos… apenas uma ausência deslocando o ar.

Ela virou o rosto rapidamente.
Nada.
Ainda assim… arrepiou-se.

— Toma, meu anjo. Essa medicação vai baixar sua febre.
Sid estava tão debilitado que mal conseguia responder. Rafaela o cobriu e o deixou deitado.

A mãe entrou logo depois — olhos fundos, pesados, carregando um cansaço que ninguém deveria suportar.

— Eu mediquei ele. Estava com febre.
— Muito obrigada… pode deixar que eu olho ele agora.
— Qualquer coisa, aperte aquele botão. Eu volto correndo.
— Te agradeço de verdade.

Rafaela saiu — sua sensibilidade a acompanhava por onde fosse.

Ao passar pelo quarto 22, ainda no corredor 5 — decidiu entrar.

— Albano… — chamou o homem de 28 anos, internado havia dois dias com dores intensas pelo corpo. — Albano, fala comigo.

Os olhos dele estavam arregalados, fixos no canto do quarto.
Rafaela sentiu um deslocamento estranho do ar.

 Um cheiro errado — que não pertencia a hospital algum.

— Albano… o que você está vendo?— Ela… ele se foi agora…
— Quem, Albano? Quem se foi?
— A bailarina… ela dançou pra mim… dançou…
— Que bailarina é essa, rapaz?
— Eu a vi… e me sinto diferente.
— Diferente como?
— Quero me levantar. Acho que posso caminhar.

Albano se ergueu com uma energia absurda — e aquilo assustou Rafaela.

— Espera! Vai com calma. Você estava com fortes dores pelo corpo, não se esqueça.
Tudo se foi. A bailarina levou.
— Sente-se. Vou chamar o Dr. Alencar.

— Dr..
— Sim, bom dia!
— Bom dia, Venha até aqui por favor? Quarto 22.

Quando eles chegam no quarto…
Rafaela para na porta.
O mundo pareceu encolher ao redor dela.
Albano estava no chão.
Pálido, Imóvel.

Por um segundo, ela esqueceu como respirar.

— Está morto — disse o médico, após examiná-lo. — Não há mais o que fazer.

Rafaela olhou para o canto do quarto.
O ar.
O perfume.
Ainda pairavam no ambiente.

— Ele disse que tinha visto uma bailarina dançando pra ele.
— Provável delírio terminal — respondeu o doutor, já se afastando.

Rafaela não retrucou. Mas algo dentro dela recusava aquela explicação fácil.
Ela conhecia delírios e aquilo… não era um.
O ar ainda parecia levemente deslocado — como se alguém tivesse atravessado o quarto segundos antes.

Ela saiu.
Precisava de movimento.
Precisava respirar.
No corredor, encontrou Márcia organizando algumas fichas.

— Márcia…
— Rafa? Você está pálida. O que aconteceu?
Rafaela engoliu seco.

— O Albano se foi.
Márcia levou a mão à boca.

— Não… eu falei com ele ontem.
— Eu também. Hoje mesmo ele disse que viu uma bailarina dançando pra ele.
Márcia franziu o cenho.

— Você também viu?
Rafaela nega.

— Você precisava ver os olhos dele… não eram olhos de quem estava delirando.
Márcia se arrepiou discretamente.

— Credo… esse hospital anda cada dia mais estranho.
Rafaela tentou se recompor.

— Não posso pensar nisso agora. Temos pacientes vivos precisando da gente.
Márcia pareceu lembrar de algo.

— Ah! Entrou um paciente novo mais cedo, está no corredor 7, quarto 23.
— Algo Grave?
— Falta de ar severa. Chegou quase sem consciência o coitado.
— Putz, nome?
— Filipe Trodsk. Trinta e cinco anos.

Rafaela respirou fundo, franziu o cenho.

— Vou passar lá depois… mas antes preciso ver o Sid.
A chuva continuava castigando Kandor — insistente havia dias, como se o céu tivesse desaprendido a parar.

Corredor 5 — Quarto 18.

Rafaela empurrou a porta devagar.

O monitor estava desligado.
Sid respirava com dificuldade.
Olhos semicerrados… perdidos em algum lugar entre o sono e algo que ela não sabia nomear.

— Sid… meu anjo… como você está?
Nenhuma resposta.
Ela procurou o termômetro, nada.

Abriu a porta e chamou Gabi, que passava pelo corredor.
Pegou o aparelho emprestado.
Quando voltou… parou.

Sid estava sentado na cama.
Imóvel.
Olhos fixos em um canto do quarto.
Balançava a cabeça lentamente… em sinal de concordância.
Rafaela sentiu a pele arrepiar.

O ar parecia mais frio, errado.

— Sid… o que você está vendo?|
O menino inclinou a cabeça.
Como se escutasse algo.

— Estava ali… até agora…
Um silêncio pesado caiu no quarto.

— Quem estava, meu anjo?
Sid piscou devagar.

— A sombra.
Rafaela sentiu o coração bater mais forte.

— Que sombra?
— A estranha… mas ele disse que não é pra eu ir agora.

O chão pareceu inclinar sob os pés dela.
Antes que pudesse perguntar mais, a porta se abriu.

— Filho!
A mãe entrou apressada.
Sid olhou para ela… e, de repente, saltou da cama.

Firme.
Sem esforço.
Sem febre.

— Mamãe! Olha! Eu tô bem agora!
A mulher o abraçou com força, a voz quebrando:

— Deus seja louvado…
Rafaela tocou a testa do garoto.
Temperatura normal.
Minutos atrás, queimava.
Aquilo não fazia sentido.

— Rosa… vamos levá-lo para exames.
Sid então estendeu os braços para Rafaela.
Ela o pegou.
O menino beijou seu rosto.
E sussurrou:

— Ele também viu você.
Um arrepio percorreu a espinha da enfermeira.

— Quem viu, meu amor? — perguntou a mãe.
Sid respondeu com naturalidade perturbadora.

— A sombra sem forma.
Rafaela trocou um olhar rápido com Rosa.
Não era hora, não ali.

— Vamos cuidar desses exames — disse, controlando a voz.
Enquanto saíam do quarto, Rafaela teve uma certeza silenciosa:
algo atravessava aquele hospital. E não pedia permissão.

Parada no corredor, encostada e absorta — distante, reflexiva.
Não se dá conta de que o tempo escorre…

A mãe de Sid sai da sala de exames irradiante.
Para diante de Rafaela, agradece como quem é libertada do abismo.
A enfermeira loira, mais antiga do San Marco, sorri, abençoa, mas dentro de si… não entende, a conta parece não fechar. 

O que teria curado Sid? Como aquilo pode ser possível?
O que levou Albano?

Ela se despede de Alan, Gabi e Márcia, lembra que tem algo a fazer e deixa o HSM. No caminho para casa, pegou o celular. Discou para Júlia…

— Tá podendo falar?
— Sim amiga, alguma novidade?
— Vamos comer algo? Dá pra você?

— Dá sim, onde vai ser?
— Vamos na Relíquias dos Deuses?
— Ótima escolha — nos vemos lá em cinco minutos?
— Sim, combinado.

Relíquias dos Deuses.

— Como é bom te ver amiga, quanto tempo, não podemos nos afastar assim.
— Verdade Rafa… Prometo que vamos dar jeito nisso. E aquele hospital lá?
— Menina, se sabe que vejo coisas, desde a infância né?
— Sei sim, já me contou suas histórias.
— Pois é, daí não tenho certeza se as coisas que vejo é o HSM, ou se sou eu mesma.

Elas disparam a rir…

— Não tem uma suspeita?
— Acho que é o Hospital sim. Mas me fala, e você como está?
— Me sinto super bem, de verdade.
— Você não vai arrumar alguém Júlia?
— Você vai Rafaela?
— Você sabe que fico bem sozinha.
— Idem.

Júlia e Rafaela conversam, matam a saudade, comem e bebem.
Se despendem e marcam de se verem mais vezes.
Rafaela vai pra casa…

Estaciona seu Honda na garagem — entra em casa.

Vai direto para o chuveiro.
Tomando seu banho reflexiva, ela pensa sua vida — pensa em suas perturbações, as imagens, as coisas que via… que não lhe traziam medo, mas sim — curiosidade.

A água molha seu corpo lhe trazendo relaxamento, ela fica um tempo de olhos fechados, apenas sentindo o momento… sentindo-se viva, consciente. 

Mas, ao abrir os olhos, repara algo que se move lentamente do outro lado do boxe. A visão é turva — difícil.

— Quem está ai o que você quer? Posso ajudar?

A imagem borrada e escura parece hesitar, permanece uns segundos parada e vai diminuindo, lentamente diante dos olhos de Rafa — até sumir.

Ela abre a porta do boxe e nada, não há nada. Não há sequer vestígio de que nada tivesse estado no banheiro.

Ela sente um leve incomodo, troca a roupa e vai para o seu quarto.
Ela lê Metamorfose — Franz Kafka. E acaba adormecendo.

No dia seguinte:

Rafaela chega cedo ao HSM

— Bom dia Márcia, bom dia Alan, Bom dia Gabi!
— Rafa, vai no quarto do Filipe?
— Ok Márcia, vim com isso na mente, pode deixar que estou indo lá. Já tomaram café?
— Sim. — Responde Gabi
— Poxa, nem me esperaram!
— Não imaginávamos de você vir tão cedo, Rafa.
— Verdade, vou tomar só um cafezinho e vou até o Filipe.

No corredor do quarto de Filipe, algo acontecia — sem que ninguém visse.
Ergueu-se do chão como argila viva.
Por um instante lembrou um tronco… depois cedeu.

Uma curvatura insinuou um rosto — mas não havia olhos.
A massa vacilou, perdeu forma…derramou-se pelo piso frio… espalhando-se lentamente, como se desistisse de ser algo.
Rafaela entra no corredor — não há mais nada. Ela passa absorta em direção ao quarto 23.

Empurra a porta:

— Filipe Trodsk, muito bom dia — como tem passado? E sua ausência de ar?
— Senti um incomodo pela noite.
— Vou aplicar um broncodilatador. Vai ajudar sua respiração.

Rafaela medica Filipe, que agradece.

— Ai obrigado, volte mais vezes por favor.
— Prometo Filipe, mas se precisar de mim, é só apertar aquele botão ali.
— Ah certo, eu faço sim, mais uma vez — Obrigado.

Rafaela deixa o quarto de Filipe no corredor 7 e vai para o corredor 3.

Quarto 10

— Dona Luzia muito bom dia!
— Minha querida que bom lhe ver
— Fico feliz em vê-la também!
— As coisas sem rostos, elas estavam aqui comigo. Diziam que eu precisava chamar por você… e olha que incrível, você apareceu mesmo.
— Quês coisas sem rostos são essas Dona Luzia?

O ar se desloca. Algo denso ocupa o quarto.

— Não se faça de boba comigo Moça, você os conhece tão bem quanto eu.
— Eu não faço ideia do que esteja dizendo, não sei nada de formas sem rosto. Você foi medicada hoje, Luzia?

Luzia silenciou — e apenas encarava Rafaela com um olhar opressor.
— Me responde Luzia, você foi medicada?
— Alan me medicou, saia daqui por favor, não queremos você por aqui. Você não é mais bem vinda.
Rafaela não respondeu.

Pela primeira vez… sentiu que permanecer ali seria um erro.
Saiu sem olhar para trás.

Foi para a cozinha, foi tomar água. 

— Alan, a Dona Luzia me esculhambou.
— Ela sempre doce comigo.
— Vai entender, me senti estranha…
— Você não fez algo a ela?
— Imagina Alan! Que pergunta é essa?
— Não imagino Dona Luzia sendo deselegante.

As palavras de Alan, entravam a mente de Rafaela trazendo intensa perturbação.
Ela não sabe o que pode ter feito, para a idosa tratá-la com tanta raiva.

Rafaela abstrai — e sai pelo corredor 5

O corredor 5, já levou um e devolveu outro — Pensa Rafaela.

Caminhando pelo corredor ela não percebe, mas o piso — parecia coberto por um líquido. Um líquido escuro, espesso. Quando Márcia entra no corredor, o ambiente volta ao normal. 

Márcia para e chama a atenção de Rafaela.

— Amiga, você está bem?
— Um pouco confusa… mas vai passar e você?
— Estava no corredor 3 – quarto 16, com Alberto.
Ele estava estranho amiga.
— Como assim estranho?
— Acredita que disse estar vendo outras versões dele mesmo?
— Como assim Márcia? — A voz de Rafaela sai mais alta que o esperado.
— Eu não entendi — apenas sai de lá.

Rafaela corre, literalmente ela dispara pelo corredor 5 para acessar o corredor 3

No corredor 3 — ela vai até o quarto 16.

Empurra a porta.

— Alberto…

Ele estava com o olhar fixo na direção de uma poltrona.

— O eu mais jovem está falando… não me atrapalhe… ele fala muito baixo.

Rafaela sente algo que não consegue explicar — mas não vê o que Alberto vê.

— Eu mal consigo me levantar… ali perto da mesa tem outro de mim, mais velho… uns trinta e poucos… está dizendo que devo me juntar a eles.
— Alberto, olha pra mim… não dê ouvido a isso.
— Mas eles são a mim… como não posso ouvi-los?
— Não há como se juntar a eles… e isso não é coisa boa.
— Eles estão olhando feio pra você…

Num rompante, Rafaela toma as rédeas.

— Escutem aqui.

Ela gira no próprio eixo.

— O senhor Alberto não vai a lugar algum. Deixem ele em paz… e voltem de onde vieram.
Alberto sorri.

— Olha só… estão sumindo…

— Eles se foram? — pergunta Rafaela.
— Foram sim, não é incrível?

— E você… como está se sentindo?

— Muito bem… me ajuda a levantar?

Ela o ajuda.

— O que quer fazer agora?

— Acho que estou bem… quero sair daqui.

— Calma… vou chamar o doutor. Sente e me espere.

— Não demore.

Ela volta com a cadeira de rodas.

— Pra que isso?

— Vamos passará por uma bateria de exames.

— Onde fica? Eu vou andando…

— Aqui perto… só precisamos confirmar se está tudo certo.

Alberto sai andando como se nunca tivesse sido limitado por nada.

Rafaela observa… balança a cabeça… e segue para a cozinha.

Mas a cozinha não está mais lá.

O corredor 3 parecia mais longo do que deveria.

Ela para.

Respira fundo.

Não havia portas.

Não havia quartos.

Aquilo não parecia o HSM.

Só então percebe a silhueta de um homem adiante.

A imagem tenta se firmar… falha… tenta de novo.

Ela observa… tenta entender…

E então reconhece.

Seu pai.

— Pai…

Ela chama… mas não há resposta.

Começa a correr.

O corredor está escuro.

A única luz vem dele — piscando… instável…

— Fala comigo… o que está acontecendo?

Ela diminui o passo.

Por um instante — a imagem se estabiliza.

Real.

Presente.

— Filha… eu… preciso…

O peito dela se enche de esperança.

Era seu pai — que não via desde a infância.

Ela avança.

— Rafaela…

Uma voz vem de trás agora.

— Rafaela, hesita.

Para.

O pai adiante dizia algo que ela não conseguia entender.

Alan se aproxima com urgência.

— Venha comigo… não há nada para se fazer por ai…

Ela olha novamente para frente.

O corredor não era mais escuro.

Não havia pai.

— Vamos tomar um café… eu estou aqui.

Ela respira… se acalma.

Rafaela não olhou mais para trás.

Mas guardou uma certeza — com uma tranquilidade impossível:

O hospital agora… sabia o seu nome.

— Você estava consciente Rafa?
— Acho que não — eu via meu pai, Alan. A propósito, muito obrigada!

— Ah, de nada, amigos, são para isso.
— Eu não sei o que seria de mim, se você não me chamasse.

— Venha vamos tomar uma café juntos

— Onde está Márcia?
— Precisou ir para casa mais cedo, não fiquei sabendo o porquê.
— Depois eu ligo pra ela.

Uma voz, em tom de urgência, chama por Alan

— Alan, Alan… Venha para o corredor 7, o Doutor Robert precisa lhe ver.
Era Gabi, ela leva Alan e junto dele — seguem para o corredor 7.

Rafaela, vendo Alan se afastar — olha para o corredor 3, sentisse atraída, e segue por ele.

O corredor 3 parecia longo demais – por mais uma vez…
Rafaela seguia, agora com mais vigor, queria entender, 

O ambiente parece recebê-la, nada de quartos, longo demais, frio demais…

Adiante… uma luz, Rafaela busca entender, busca decifrar… 

— Rafa!

Era a voz de Rubem — seu grande amor.

— Rafa meu amor, sou eu.

— Rubem… como isso é possível… você se foi há três anos…

— Eu estou aqui Rafa.

A imagem de Rubem tremia, como se lutasse para existir.

A luz ao redor dele pulsava suave.

Rubem entra por uma porta de luz e estende a mão.

— Venha comigo… aqui não existe mais dor.

Rafaela não hesita.

Entra pela porta de luz.

E nunca mais fora vista.

FIM 🌸

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